O pensamento sobre a arte de Atuar. Sou Cineasta, Assistente de Direção, Preparador de atores. Amo vê-los atuarem, se entregando, se jogando em seus personagens. Parabéns a todos os atores do Mundo. O que seria dos Cineastas sem vocês.
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Atue de verdade
Durante a filmagem de "Butch Cassidy and the Sundance kid", um ator perguntou ao Diretor George Roy Hill se eles estavam fazendo Drama ou Comédia. Hill respondeu: " Apenas atue de verdade. Se for para ser cômica, será cômica. Se for para ser dramática será uma cena de drama"
O que eu vou dizer aqui, eu vou afirmar após ter lido vários livros de Diretores famosos, como Kubrick, Almodovar, Woody Allen e outros. E claro, após ter visto milhares de filmes na minha vida. A conclusão? "Quando você atua usando o seu coração, dentro do espírito e alma do seu Personagem, e entendendo a cena que você está fazendo, você faz a cena de verdade. Quando digo de verdade, é como se eu espectador desse de cara com o personagem na rua e acreditasse que ele é de carne e osso, ele é real, por mais bizarra que seja a sua composição. "
Sempre atue pensando em como seria esse Personagem se ele existisse. O que ele come, o que ele bebe, aonde mora, onde trabalha, sua relação com as pessoas. Se questione o tempo todo. Quanto mais perguntas você fizer para si mesmo, mais clara ficará a definição desse personagem para você.
Se o filme é comédia, se é drama , se é terror, não importa o gênero. Faça o seu Personagem ser o mais crível possível. Quantas vezes eu vi um filme e ficou claro para mim, vendo a cena, que o Ator não está à vontade, não acredita naquilo que ele está fazendo????
Claro, existem as comédias pastelão que exageram no tom, e a gente até acha engraçado. Porém, mesmo nessas comédias, você tem que acreditar no Personagem que você está interpretando. Defenda-o. Faça como aquele jogo "Second life": viva o seu "Avatar" intensamente. Você o moldou dentro de características específicas, às vezes nada a ver com a personalidade do Ator. Mas lembrem-se que todos nós temos um "Lado A" e um lado "B". Tem certeza que você se conhece de verdade? Eu adoraria descobrir o meu lado "B" e fazer ele surgir na pele de um Personagem selvagem. Só para me divertir um pouco.
ARRAZA!!
domingo, 16 de fevereiro de 2014
A música interior
Todos nós adoramos ouvir música. Ela mexe com nossa emoção, provoca saudosismo, nos traz memórias. Tem um filme recente, chamado "A música não para", baseada em história real, sobre um jovem com tumor cerebral que vai recobrando aos poucos suas memória por causa da música. É um belo filme.
Eu tenho um playlist em meu Ipod que ouço várias vezes ao dia. São músicas que me fazem feliz e que quando dou por mim, estou cantando em voz alta e requebrando o corpo qual um John Travolta na rua, metrô e por aí vai. Não tem jeito, assim como a sala de Cinema, a música é uma Terapia. É lá, nesse Universo , que eu me escondo, saio da minha realidade e me provoco para estar em uma zona de conforto onde eu possa me entregar a sensações inexplicáveis, motivando minha criatividade e inspiração para criar coisas boas e novas. De manhã quando acordo, quando estudo, quando estou em casa estudando, sempre ouço uma música apropriada que me ajuda bastante a me motivar.
Para o Ator, eu sempre digo que ele deve encontrar a música que representa uma determinada cena do roteiro. Cenas de intensidade dramática, ou cômica, ou romântica. Não importa, Entendendo a cena e a sua motivação, o Ator será capaz de buscar em sua playlist uma música que o faça entrar no "mood" certo. Quando não há tempo para exercícios físicos que provoquem o estado de espirito do Personagem, escutar música é a solução perfeita para pedir licença e invadir a vida desse Personagem. Mesmo sem um aparelho sonoro, é possível centrarmos em alguma música interna, contanto que esteja concentrado e focado na cena. A música está em sua mente, na batida do seu coração e na sua respiração. Pare, feche os olhos, foque e se escute.
ARRAZA!!
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Antecipação
"Eu creio que se você tiver algum talento para atuar, esse talento tem que ser a de Ouvir", Morgan Freeman
Quando vejo atores atuando, quase sempre reparo naqueles momentos silenciosos, onde um encara o outro.
Esse momento é muito especial para mim, pois é aonde os personagens se "conectam". É ali que eu acredito naquelas pessoas que estão vivenciando a história que eu resolvi escolher para assistir.
Claro que os bons diálogos são essenciais, e Woody Allen está aí para provar isso. Mas os olhares, os pensamentos internos, a fala interior, isso sim me emociona. Sempre digo aos meus atores que é muito mais difícil dialogar com o olhar do que com palavras. Decorar texto é fácil, dizer o texto é fácil..qualquer estudante de interpretação pode fazer isso. Mas dizer esse mesmo texto com a verdade do personagem, isso só com muita experiência e entendimento do ator daquela "vida" que ele irá se sobrepôr. Se o Ator não entender qual emoção ele deverá colocar naquela frase, naquele olhar, naquele momento especial, a cena não ficará boa. Pois a cena quando é escrita pelo roteirista, ela é escrita para passar a verdade do personagem. E o Personagem não é um Ator atuando, é uma pessoa normal. Ele existe, é real.
Para que haja um contato visual que surpreenda, é importante que os atores saibam escutar. Muitas vezes, em um diálogo, observo que enquanto um Ator dá seu texto, o outro fica mecanicamente aguardando a sua deixa para falar. Isso não pode acontecer. Enquanto um fala, o outro escuta e entende. É assim que sós somos. E o entendimento vem através de postura corporal, olhar, sorrisos, tristeza, etc. Escutar é interpretar. A gente está vivendo o momento que estamos escutando. Não é porquê um Ator leu o roteiro que irá saber o que irá acontecer com ele e com o outro Personagem. Isso não pode vir na mente do Ator. Ele terá que se preocupar em viver o momento do diálogo, pois ele não sabe o que a outra pessoa irá responder. O Ator jamais poderá antecipar o que irá acontecer a seguir. Por mais que ele saiba, por ter lido o roteiro, ele não pode em hipótese alguma ter isso em mente na hora de interpretar.
Quantas vezes vi em uma cena de tiro um ator fechar os olhos antes de saber que o outro ator irá empunhar uma arma e dar um tiro? Quantas vezes vi um Ator reagir a uma porrada antes mesmo dessa situação se mostrar presente?
A seguir, um trecho do filme "Caminho de casa", de Zhang Yimou. Um filme extraordinário, de poucos diálogos, onde acompanhamos uma história de amor quase toda através do olhar de seus protagonistas. Uma aula de Cinema.
http://www.youtube.com/watch?v=xMEnOoAvxRs
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Menos é mais
Jack Lemmon sobre trabalhar com o Cineasta George Cukor: "Cukor sempre me pedia para não "Atuar". Eu retrucava ele, dizendo que isso não era possível. Mas Cukor insistia, pedia para eu fazer menos, muito menos. Eu dizia: Se eu fizer menos, eu não estarei fazendo nada! E Cukor respondeu: É exatamente isso o que eu quero!"
Para o Ator, é muito importante saber que, ao entrar em um palco ou estar prestes a rodar uma cena de um filme, que ele esteja conectado ao seu Personagem.
O Ator deve "viver" o Personagem. O Personagem deve pegar emprestado todos os recursos que o Ator lhe propicia ( corpo, voz, memória, emoções) e ver o que ele pode aproveitar. Recriar, reconstruir. O Personagem não é o Ator. O que ele "Personagem" pensa, age, retruca, não ter nada a ver com o Ator.
Por isso é fundamental ao Ator descobrir através da leitura do roteiro e do seu entendimento, e nas conversas com o Diretor, quem é esse Personagem. O que ele faz, qual a sua origem, as suas ambições, as suas relações com as outras pessoas, até mesmo o que come, bebe veste. As provas de figurino, de maquiagem, a leitura de roteiro, tudo tem que ser revelador para o Ator. Ali ele se redescobre, ele se conecta com o Personagem.
Já ouvi relatos de ator que não conseguirem enxergar o Personagem durante a realização de uma cena, e tiveram que repetir a cena inúmeras vezes a pedido do Diretor, pois o Personagem não estava lá. Quem estava presente era o Ator.
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4 fatores decisivos para a sua aprovação
Essa matéria eu li hoje em um site e resolvi fazer um resumo. Caroline Barry é atriz e coach americana, e após anos de serviços prestados na área, ela fez uma pesquisa apontando quais seriam os 4 fatores fundamentais que farão toda a diferença para a aprovação de um Ator em um teste.
"Você fez um puta Teste e não passou. No entanto, fez um Teste mais ou menos, e passou. O que será que se passa na cabeça da banca que aprova o Ator em um teste? Que elementos seriam possíveis na eliminação de um Ator?
Vamos dividir os 100% de possibilidade de se passar em um Teste em 4 partes:
30% - Referentes à sua fisionomia. Muitos atores são aprovados porquê a sua fisionomia casa perfeitamente com o outro ator com que ele irá contracenar. E isso é fato: Já vi atores que fizeram testes excepcionais, que não foram escolhidos porquê não combinavam com a outra pessoa. Por isso etnias, idades e perfis distintos são importantes em um Teste. Alguns deles irá surpreender.
40% - É o seu Talento e Criatividade. O que você fizer em um Teste, como você se direciona, sua confiança, sua criatividade e talento agora se tornam um fator fundamental.
20% - Sua Atitude, personalidade e essência. A banca de aprovação está observando tudo o que você fizer. A sua forma de andar, de falar, de observar, de se comunicar, de se expôr. Muitas vezes o Diretor quer sentir a energia,a força da pessoa que irá fazer o teste.
10% - Fator Improviso e outros. Um detalhe de sua roupa, um penteado, qualquer elemento que chame a atenção da banca e que indique sua personalidade será bem-vinda. O fator surpresa e improviso também está nesse item. São muitos os fatores subjetivos da banca. Cabe a você chamar o olhar deles para o sue potencial.
Levante a cabeça e mostre pra banca porquê você está lá, e porquê merece pegar o papel.
ARRAZA!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Não dê um passo além do que você pode
"Nunca seja pêgo atuando", Lilian Gish
Ouvi hoje um papo entre duas atrizes consagradas. Elas discorriam sobre atuar em cena com atores sem experiência. Cenas em duplas onde elas se sentiam desconfortáveis com a falta de entrega do parceiro de cena. Elas diziam que, para não "queimar" o Ator com o Diretor, tentavam elas mesmos salvar a cena, salvar o outro Ator."Levantavam" o Ator, buscavam motivá-los. Mas mesmo assim o Ator continuava ali, frio, duro, sem vida, sem a inteligência de fazer a cena prosseguir com verdade.
Isso é um recado para a galera jovem que começou ontem e já acha que pode arrazar: Se vocês não se sentirem prontos pra batalha, não se joguem aos leões. Não adianta querer comprar um DRT, não adianta você "conhecer" o Diretor, o Roteirista. Ser ATOR exige anos de experiência. Exige estudo. Exige você entender a realidade da profissão.
Não existe profissional que seja, que esteja pronto para trabalhar em menos de 3 anos. Durante esse tempo, o Ator precisa ler muito, atuar muito, argumentar e vivenciar emoções. Ver filmes é essencial. Ir ao Teatro é essencial.
Eu no fundo, morro de pena de mais de 50% dos atores que fazem teste. Porquê ali, você não vê a alma do Personagem. Você vê o Ator ali, tenso, tentando recriar algo que ele não entende.
O Ator não pode fingir ser alguém. Não existe o mundo do faz de conta. Existe o Personagem. Existe a verdade dele. E se você ator, não entender isso, nada acontecerá. Ninguém gosta de atuação mecânica. Falar o texto é fácil. Decorar o texto é fácil. Agora faça tudo isso vivendo o Personagem. A verdade começará desse momento em diante.
ARRAZA!!!!
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Diretor X Ator
"Alguns Cineastas acham que os Atores são objetos de cena ou fazem parte do cenário", Kelly Macgillis
Já trabalhei em mais de 60 longas. Já fiz também novelas, seriados de tv, comerciais nacionais e gringos, curtas-metragens. Nos meus 17 anos de carreira, trabalhei com mais 60 Diretores diferentes. O Diretor de Cinema tem métodos diferentes do Diretor de Publicidade, que tem métodos diferentes do Diretor de Tv. O Teatro é uma linguagem que não domino, apenas assisto como espectador. Sei que o Processo é totalmente diferente.
Não existe uma fórmula para dirigir. Não existe um Método correto, bom ou ruim, melhor ou pior. Cada Diretor trabalha de uma forma. Cada Diretor tem seu método próprio de chegar para um Ator e expôr o seu ponto de vista sobre a performance exigida na cena.
Todos sabemos que a essência para um Personagem criar vida própria, é através da leitura e entendimento do roteiro a ser trabalhado no projeto. Eu sempre digo que o Roteiro é a nossa Bíblia. É através dele que nos guiamos para tudo. Mesmo que seja um filme onde o improviso impera ( como nos filmes de Mike Leigh) existe uma sinopse, uma espinha dorsal que irá direcionar todo o conteúdo a ser narrado.
O Diretor e o Ator PRECISAM entender a mesma cena. Não pode haver conflitos. Se isso ocorrer, a cena não ficará boa. O Diretor não pode dirigir a cena e o Ator fazer algo totalmente diferente do que lhe é pedido.
Muitas, mas muitas vezes, eu presenciei Diretor e Ator discutindo cenas, batendo cabeças, porquê um dos dois não chegou lá. O Ator precisa entender a cena para poder encontrar a emoção certa para o seu Personagem. Às vezes o Ator entende que o Personagem tem que estar "menos". Mas o Diretor quer que ele esteja "Mais". Como Cinema é hierarquia, e são poucos os Atores que podem impôr algo ao Diretor, fica valendo a palavra final do Diretor.
Quantas vezes eu já não ouvi amigos, ou até mesmo li resenhas em blogs e jornais, falando mal da atuação do Ator: "Overacting". "Caricato". "Fragilizado". "Fora do tom". "Sem sal". Posso garantir: na maioria das vezes não é culpa do Ator. O Diretor pediu assim, e assim ficou. Mesmo que o Ator diga que não ficou orgânico, que não acreditou naquilo que ele acabou de fazer.
É muito importante entender qual o filme que ambos estão fazendo.
Na preparação do projeto, é importantíssimo ver referências, discutir Personagens, conversar sobre as cenas do roteiro e entendê-las. Os questionamentos levantados pelo Ator devem ser considerados. Existe uma diferença entre o Ator-mala que faz perguntas sem noção, e o Ator que tem questionamentos relevantes que podem alterar o rumo do filme.
Continuarei esse assunto num próximo post.
ARRAZA!!!!
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