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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Conecte-se

Conectar-se significa fazer um link com algo. É como uma âncora, onde você se joga e aporta em alguma coisa. Qualquer atividade que fizermos na nossa vida, seja ela pessoal ou profissional, somente será 100% usufruída se houver uma conexão entre ambas as partes. O dançarino se conecta com a música para apresentar a sua melhor dança. O médico se conecta com o seu paciente para melhor compreendê-lo. O advogado se conecta com o seu cliente para melhor assessorá-lo. O professor se conecta com o seu aluno para poder auxiliá-lo em suas deficiências. O Ator se conecta com o outro Ator para oferecerem a melhor performance. Na fogueira das vaidades do mundo artístico, muitas vezes percebemos que a conexão de 2 atores na mesma cena não aconteceu. O resultado, é uma cena capenga, onde um tentou se destacar em solo, mas como não houve conexão entre ambos os atores, a cena ficou frouxa. Temos que lembrar que uma cena de dupla, precisa haver estímulo dos 2 personagens: 1 ator precisa motivar o outro ator , somente assim a cena ficará satisfatória. A cena não é de um, é dos 2 atores. Isso precisa ser entendido. Da mesma forma, a relação entre Diretor e Ator se baseia na conexão. O Diretor expõe para o Ator a sua visão do projeto, e cabe ao Ator compartilhar esse mesmo ponto de vista. Às vezes essa conexão se dá não em palavras, mas em olhares. Já observei situações onde o Ego e até mesmo o Mêdo estragou essa relação entre Ator e Diretor: O Diretor, temeroso do Ator famoso, deixou-o fazer a cena como ele imaginou, e por conta disso, o Diretor internamente ficou insatisfeito, mas deixou assim mesmo. O Ator, por sua vez, se não se conectou com os desejos do Diretor, precisa puxá-lo para um canto e expôr para ele a sua insatisfação ou desentendimento da cena. Ninguém poderá fazer uma boa performance sem haver se conectado com os elementos que a cena lhe oferece: Cada elemento presente faz parte do Universo do Personagem. A roupa que ele usa, a sua maquiagem, seu penteado, a cenografia do ambiente onde ele está presente. A música que toca que lhe provoca emoção. Os outros personagens que compartilham a mesma cena. Os figurantes que ilustram o ambiente. A locação onde você está. A conexão é como uma descarga elétrica. Precisa provocar um "Choque", precisa lhe tirar do estado de inércia e te motivar para algo. ARRASA!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A etnia como obstáculo

Lembram daquela frase da Campanha do Governo durante as eleições? "Mulher, negra, pobre e favelada". Essa frase me marcou pelo estigma que ela cria sobre um indivíduo. Pasolini, o Cineasta italiano, tinha contra si a frase: Gay, comunista, ateu. E assim ficamos presos a uma marca que adoraríamos que fosse substituída por "Liberdade, igualdade, fraternidade". O mercado artístico é assim, trabalha também com esse estereótipo, com essa marca que carimba em nossas testas o que somos. As pessoas ganham auto-estima e amor próprio ao declararem o seu amor pela sua raça, a pessoa toma coragem e sai do armário, a pessoa toma coragem e assume que é ateu em um País majoritariamente católico...e ganha um carimbo na testa, dado pelo Mercado de trabalho que faz questão de reforçar o que somos ou deixamos de ser. Você é negro, você é amarelo, você é índio. O processo de escalação de elenco é sempre uma loucura. Durante a escolha de elenco, sempre ouvi os Diretores falarem coisas do tipo: "Ele é mulato, não serve, não é negro o suficiente. Ela é mestiça, quero oriental de olho puxado, ela não serve. ". Eu sempre reparo em seriados e filmes americanos, e que, no passar dos anos, foram ganhando um contorno mais globalizado e aceitando a diferença racial de uma forma mais natural e sme marcar os estereótipos. Assim, em séries como "Grey's anatomy", "Glee", "The walking dead", por ex, temos atores negros, orientais que atuam com a mesma proporção que os atores brancos, e sem trata'-los como o "oriental", "O negro". São todos iguais. Não tem escravo, não tem suhsi-man. São médicos, alunos, advogados. Aqui no Brasil, ainda caminhamos a passos curtos em relação a essa igualdade de divisão de papéis. Infelizmente o estereótipo é o que comanda aqui na escalação de elenco. São poucos os atores que adquiriram um status de poderem interpretar outros personagens que fujam do estereótipo. Eu antes de trabalhar atrás das câmeras, era Ator e fazia pequenas participações em comerciais , series e filmes. Obviamente que todos os papéis que eu interpretava reforçavam a caricatura de como uma pessoa enxerga um oriental. Eu me sentia um personagem do filme 'Encontros e desencontros", aquele olhar clichê do homem branco sobre uma outra cultura. Uma vez, um assistente de direção chegou e falou pro Diretor: " O Hsu é chinês, não é japonês". Estavam procurando japoneses pro comercial. No que o Diretor retrucou: "É tudo a mesma coisa". Quando escalamos índios, o que vemos nos testes é: bolivianos, peruanos, manauaras, e até mesmo, orientais. O pensamento é o mesmo: "É tudo a mesma coisa". Até que chegou um dia que cansei de brincar disso e fui atrás de outras cosias. Sei o quanto é difícil, quando você faz parte de uma minoria, sobreviver sendo ator. As chances são muito menores, e por você ter menos possibilidade de trabalhar, a pessoa acaba não praticando a profissão e enferruja. Raramente é chamado para testes em comerciais, em filmes só se for algo especfífico. Torço para que um dia a escalação seja feita em cima do talento e nao da côr. ARRASA!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Comédia o mais dificil dos generos

COMÉDIA: O MAIS DIFÍCIL DOS GÊNEROS A comédia sempre foi vista aqui no Brasil como um gênero menor. É só observarmos nas premiações e Festivais a quantidade de produções indicadas nesse gênero, e a quantidade de drama. Teve uma vez, que a Atriz Ingrid Guimarães estava indicada por uma comédia nacional e disputava o título de melhor atriz com Gloria Pires, que havia feito "Lula, o filho do Brasil". Ingrid entendia que era difícil disputar com uma atriz em papel dramático, quando ela estava disputando por um papel cômico. Não é à tôa que o Globo de Ouro, Festival de cinema e tv americano, separa nas premiações esses 2 gêneros. Talvez seja o único do mundo que entenda que são 2 universos distintos e que os atores de comédia merecem uma disputa honesta. Já trabalhei em muitas comédias, desde a pastelão ate as de humor mais fino, irônico. Tive o prazer de trabalhar com grandes atores que se divertiam fazendo papéis cômicos. Às vezes eram comediantes, outras eram atores que mergulhavam com muita propriedade em Drama e Comédia. Aqui no Brasil, são raros os atores que conseguem trabalhar em vários gêneros. A grande maioria dos comediantes, são vistos apenas como comediantes. Por outro lado, quando um Ator de drama vai se aventurar na comédia, já ouço logo os seguintes comentários: "Mas esse Ator não sabe fazer comédia. Não tem humor."" Isso fica muito claro na hora da escalação de elenco. O produtor de elenco apresenta as opções para o Diretor, e é muito comum escutar: "Esse aqui é comediante, não sabe fazer drama". "Essa aqui só sabe fazer drama, Quem vai querer ver fulano fazendo comédia?". Fiz numa ocasião um Workshop e perguntei a um Produtor de elenco que ministrava o curso porquê as pessoas não ousavam escalar atores em papéís inusitados, diferente de tudo o que haviam feito. Porquê sempre vão no comediante para fazer comédia. Ela foi objetiva na resposta: "Os produtores e Diretores não querem arriscar. Cinema e tv são produtos muito caros, existe uma logística de filmagem que não permite fazer ajustes durante o processo. Se o Ator na filmagem não fizer as pessoas da equipe rirem, já era. Principalmente na comédia, o público sabe o que esperar daquele produto."" Eu no entanto, adoro comédias e sempre achei o gênero mais difícil de se fazer, tanto para Diretores quanto para atores. Não existe nada pior para um ator, do que contar em uma cena uma situação divertida e ninguém rir. Em teatro, isso chega a ser constrangedor. A gente percebe que o Ator dá uma pausa para a reação do público, mas ela não vem. Na minha oficina, um dos exercicios que faço é contar piadas. Simples assim. Peço para que todos os alunos, um por um, conte uma piada pra turma. E na maioria das vezes, os risos não vêem. Porquê? Contar piada, saber fazer rir, é uma arte. Você precisa saber narrar com dinâmica (Timing); não pode gaguejar, não pode parar para se lembrar do que vai contar; precisa manter o suspense do inicio ao fim; precisa narrar no tempo certo e não esticar demais, e precisa saber narrar com emoção e tesão. Difícil, não? Tudo isso ainda buscando o olhar de cumplicidade do ouvinte, pois é para ele que você está narrando. Quando dirigi a Série "Por isso eu sou vingativa", percebi a dificuldade de alguns atores de entrarem no personagem e na cena. A serie trabalhava com um humor ferino, cáustico, na linha de Peter Sellers em "Um convidado bem trapalhão". Às vezes vinha pantomina pura, outras era uma piada visual. Era comédia em degradé, em vários tons. Quando eu percebia que o Ator tinha dificuldade, eu dizia: "Não tenha medo de pagar mico. Não tenha senso crítico sobre o que você está fazendo. Apenas se divirta."" Quando o Ator não tem muita experiência em comédia, ele tende ao exagero, ao humor físico, porquê acredita que as pessoas irão rir de tropeçadas, de escorregões, etc. Dependendo da gag, isso até funciona. Mas o mais importante, é fazer de verdade. Por mais louca que seja a situação, faça de verdade. Não force o riso. Eu como espectador, quero acreditar que esse seu personagem existe, ele está por ai, andando na rua em algum lugar. Quando você força demais o personagem no humor, já fico vendo um Ator interpretando, O Cineasta Stanley Kubrick uma vez respondeu em uma de suas raras entrevistas, que em "O iluminado", ele pediu para que os atores interpretassem de forma realista, mesmo sendo um filme de terror. Isso porquê as situações do filme, os diálogos e a história já eram por si só fantásticas, então ele não quiz realçar nas atuações. Dessa forma, os personagens vêem mais fortes e críveis para a platéia. Vez ou outra me deparo com um ator que vem dizer para mim que tem dificuldade enorme em fazer comédia. Eu pergunto para elas: "Você é uma pessoa que sabe fazer as pessoas rirem? Você se diverte em comédias? É bem humorado? Sabe enfrentar as dificuldade da vida com certa dose de "savoir faire", sem se desesperar?"" Se deixe levar pelo Personagem. Se divirta. Não tenha, absolutamente, nenhum medo de pagar mico. Esse é o grande obstáculo dos atores. Medo de pagar mico. Se solta, se entrega, e ria. Ria muito. Pensem em Meryl Streep. A mesma atriz que trouxe uma das interpretações mais dramaticas da história do cinema em "A escolha de Sofia", é a mesma atriz do musical cômico "Mamma Mia". Quando assiste ao filme, eu ficava o tempo todo pensando: "Caralho, que atriz!!". E eu ficava feliz, ficava feliz pela Meryl, porquê ela estava radiante no filme, era nítido que ela se divertia em cena. Os seus sorrisos eram genuínos. Quem não lembra da cena dela dançando com as amigas uma coreografia do grupo Abba, usando aquelas roupas espalhafatosas??? NÃO TENHAM MEDO DE SE JOGAR, DE PAGAR MICO. Apenas se divirtam. Não fiquem pensando em todos aqueles anos de Grotowski, Stanislawski, Meisner, etc etc etc e em como usar essas técnicas pro Personagem. Isso vai fazer você enrijecer . Apenas se solte, improvise, relaxe.

sábado, 21 de junho de 2014

Não envie seu material a toa

Eu fico me perguntando o tempo todo porquê os Atores gastam dinheiro mandando imprimir uma porrada de cópia de suas fotos, de seus dvds com videobook e pior, enviando para Diretores! Se estressam, vão trás de emails, endereço profissional e residencial, alguns até ficam plantados na frente do prédio ou carregam consigo dvds na bolsa para quando esbarrar com algum Diretor, entregar na mão dele. Eu sei que esse material custa uma grana! E é caro! E acredito que os ATores não estão com dinheiro sobrando também˜ Quantas vezes , nesses meus 18 anos de profissão, esbarrei com envelopes com fotos e dvds com book de atores na mesa da Produção, dos Diretores? Querem saber a verdade sobre o que acontece com esse material? Ele vai de mão em mão, até ficar trancafiado na primeira gaveta que aparecer. E ficará ali para sempre, porquê ninguém vai ver. Se alguma alma caridosa se dispuser a querer ajudar, porquê ficou com pena porquê o Ator gastou dinheiro, vai mandar entregar para o Produtor de elenco. E olha lá! Os únicos Diretores que recebem material, são os autorais, aqueles que fazem filme com pouca grana e não Têm dinheiro para pagar Produtor de Elenco. E Curtas universitários, porquê vai ser de graça mesmo. Não adianta mandar direto para o Diretor. Ele já tem problemas demais pra pensar, roteiro pra decupar, edição para acompanhar, fotos para aprovar! Pioe ainda os que escrevem em anexo aquela cartinha triste, porquê ninguém irá se sensibilizar contigo. Aquela história que ser Ator é seu sonho, é o mesmo sonho de centenas que buscam a mesma cosia: A fama. Porquê é isso o que a maioria quer: ser famoso. Estar com a cara ali na tela, pra todo o mundo comentar. Eu sempre digo que um Ator não deve focar na fama, porquê ela virá mais cedo ou mais tarde, paras os que merecem. Sempre digo para montarem uma peça, um pequeno grupo, vão ali na rua, na praça, se mostrem para um público, de graça, sem ganhar nada. Assim se começa. Quem reclama que nada acontece, é porquê não foca a sua energia de forma certa. Se mostrem para alguém pra ter certeza que é isso o que vocês querem fazer. Busquem editais, produzam coisas próprias. Monte um projeto bacana, que seja interessante e que você, como espectador, gostaria de ver. Quem deve receber o material dos atores, é somente o Produtor de elenco. É ele quem arquiva e aciona o ator quando ele se encaixar em alguma perfil. É ele quem apresenta para um Ator. É ele quem acreditará no Ator, em função do material recebido. Se o seu material fôr ruim, ninguém apostará. Mesma coisa os Agentes: Só irão te receber se eles acreditarem em você. E todo mundo observa quando nem você mesmo acredita em você. Ninguém aposta em algo que está apagado, sem vida. Meu Deus, quantas pessoas já se me procuraram, dizendo que sonham em ser atores? E para boa parte desses, como dizer a verdade, a pura verdade? Nem todo mundo pode ser Ator. Porquê para isso,é preciso que eu veja seus olhos e perceba que eles brilham. Esse brilho somente existe naqueles que levam a profissão a sério. Em qualquer área. Encontre a sua verdade logo, e não perca tempo dando murro em parede. Se fôr pra acreditar em algo, faça acontecer, da forma certa, com muito estudo e entrega. Ser Ator não é brinquedo e nem 100% Alegria. Arrasa!

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Bote tesão em tudo

"Faça bem ou faça mal, mas jamais faça de forma entediante". Uma vez um colega ator me comentou sobre o processo de trabalho do Raul Cortez. Quando ele estava em cartaz com alguma peça de teatro, Raul fazia questão de jamais fazer a mesma atuação todos os dias, pois tinha verdadeiro pavor da rotina. Ele trazia então a sua energia do dia para o personagem. Ele vivia "O momento". Se tava com dor de cabeça, trazia pro personagem naquele dia. Se tava com dor de barriga, idem. Uma pedrinha dentro do sapato incomodava? Trazia esse desconforto pra cena. Uma coisa era clara: jamais faria sem energia. Quantas vezes fui assistir peças de teatro, e nitidamente, para mim, espectador, eu sentia que o Ator estava sem energia aquele dia? E não era do personagem. Algo dentro dele dizia: "T6o sem saco hoje". Claro, vários fatores podem influenciar essa "vibe" do ator no palco: casa vazia, público que não reage, ator gripado, discussão com outro ator com quem ele contracena, contas a pagar, salário inexistente, enfim, todos esses fatores externos podem alterar a energia do personagem. Mas o que todos jamais devem esquecer, é que Ator é totalmente diferente do Personagem. O Ator ficou na coxia e não entrou no palco. Quem entrou foi o Personagem, e ele não vive nenhum desses fatores externos. Se o Ator quiser trazer algo para contribuir para o Personagem, que faça como o Raul Cortez: aproveite para estimular e dar mais tesão ainda ao personagem. O contrário, jamais. O Ator em momento algum deve entrar em conflito com o Personagem. "Eu quero paixão, eu quero vísceras! Eu quero ser estimulada. É extremamente solitário- Você quer alguém ali contigo para trabalhar com você. Não quero Diretores que só estão interessados na câmera. Eu quero o Diretor esperando ali, por mim.". Kathy Bates, Atriz. É obrigação de todo Ator buscar uma conversa com o Diretor, quando não estiver se sentindo motivado o suficiente para a cena ou o Personagem. Nenhuma dúvida deve ser levado para o Set de filmagem. Esse período de preparação e de ensaios deve ser muito revelador para o Ator descobrir as suas motivações. Se o Ator fez o dever de casa e dentro de todas as conversas com o Diretor compreendeu todas as passagens do Personagem, ótimo. Mas se algo ficou obscuro, vá atrás de esclarecimentos. Somente entendendo o que você está fazendo e suas motivações você se sentirá estimulado para a cena. Não tem nada mais triste do que observar um Diretor pedir "Ação" e a gente perceber o quanto o Ator está perdido em cena. O Personagem não está ali, ele ficou incompleto. Quem está ali é o Ator, em conflito, pois não conseguiu dar a sua essência para alimentar o Personagem. Isso tem que ficar muito claro: a cena precisa sempre ser estimulante para ambos os lados: Palco e platéia. Quando digo estimulante, não quero dizer que o Ator deva pular em cena e ser dinâmico. Não, é trazer emoção e causar frisson no espectador, mesmo que seja uma cena estática e apenas nos olhares. Mas precisamos ver vida ali. Ator morto, é Personagem morto. ARRASA!!!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Não fique na defensiva

Todo mundo que cria algo, precisa estar pronto para receber críticas. Em todas as formas de Arte (Pintura, dança, música, teatro, cinema, literatura) existem críticos profissionais e os não profissionais ( os espectadores) que farão a avaliação da obra. Na vida pessoal, somos também constantemente avaliados por tudo o que fazemos no dia a dia: nosso atos conscientes ou impensados, nosso trabalho profissional, as decisões que tomamos na vida. Robert Redford já dizia: "É através das críticas que me transformo numa pessoa melhor". Mas nem todos pensam assim. Na verdade, boa maioria das pessoas reage muito mal a um simples comentário. Alguns se tornam até agressivos. Para que serve uma crítica, afinal? Como suportar uma crítica negativa ao nosso trabalho? As pessoas costumam se defender dizendo: " Quem é essa pessoa para me criticar?". Essa pessoa é um espectador. Ela pode gostar ou não daquilo que você ofereceu a ela. É um direito dela. Popularmente, é o famoso: "Entrou na chuva é pra se molhar." Mas o que as pessoas devem evitar, e isso irrita qualquer profissional, é ficar na defensiva.Todos erramos, todos podemos produzir coisas que não agradam. Devemos assumir que não somos perfeitos. e devemos assumir que temos que respeitar os comentários feitos ao nosso trabalho. Não fique justificando cada ato falho seu. Se você errou em alguma decisão, ou se você produziu algo que não agradou, tente entender através das críticas o que você deve fazer para superar alguma falha. Não vai ser se defendendo o tempo todo que você aprenderá a ser uma pessoa melhor. Haja sempre profissionalmente, Escute e leia tudo o que falam sobre o seu trabalho. Pegue os defeitos e também as qualidades mencionadas, e foque neles. É assim que estão me vendo. É assim que vêem o meu trabalho. Quero melhorar ou quero continuar assim? Afinal, a decisão final será sempre sua. Mas não fique mais na defensiva. Isso é para os fracos. ARRASA!

sábado, 14 de junho de 2014

Filmando com crianças

Eu amo filmar com crianças Sério. Sei que muitos Assistentes de Direção têm verdadeiro pavor. Mas eu tenho uma criança dentro de mim que se diverte pra valer. Já trabalhei em vários longas tendo crianças como protagonistas, e em outros onde elas não eram os principais, mas tinham papéis fundamentais. "Tainá 1 e 3", "Minha vida de menina", "Professora Maluquinha", "Se puder..dirija", "Minha mãe é uma peça", "Espelho d'água", fora os filmes da Xuxa e do Didi. O meu primeiro contato com crianças em Set foi no filme "Chatô, o Rei do Brasil". Haviam várias crianças no roteiro, e o Diretor queria teste para todos os personagens. Durante o Teste para um dos personagens infantis, me recordo de um fato que nunca mais consegui me esquecer. Uma das crianças, antes do testes, estava toda animada e serelepe fora do estúdio. Sabia sua cena, sabia seu texto. Na hora do teste, a criança simplesmente travou. Não conseguia fazer nada. O Diretor pedia o texto, e ela ficava ali, paradinha, nitidamente assustada. A mãe da criança estava ali, num canto do estúdio, fuzilando a crianca com o olhar. Ela dizia: "Vai filho, diga a fala pro Diretor. Vai, fala!". O Diretor disse: "Minha senhora, para de pressionar a criança. Se ela quiser falar, ela vai falar. Não vai ser assim que ela vai falar". Resultado: a criança não falou, e a mãe em alto e bom som disse pro filho: "Quando chegarmos em casa vou pedir pro seu pai te bater". Todos sabem que mãe de criança que quer ser ator, em sua maioria, são um verdadeiro pavor. Já é famoso o jargão no meio de cinema e tv a frase "Deixa os pais do lado de fora". Hoje em dia, ninguém, mas absolutamente ninguém, permite a presença dos pais durante um teste ou uma gravação, fora exceções. As razões são as mais óbvias possíveis. Nenhum ator pode ser pressionado ou intimidado na hora de sua atuação. Criança então, nem pensar. Uma comparação seria um Ator/Atriz que tivesse, na hora de uma cena de sexo, o seu namorado/namorada acompanhando essa filmagem. Que tal a sensação? Claro, filmar com crianças tem os seus percalços e imprevistos. A criança pode ser um gênio, mas não deixa de ser uma criança. Quando ela estiver cansada, ou com fome, ou quiser mijar, ela vai dizer. Criança não mente que nem os adultos. Elam dizem o que sentem. E se ela estiver cansada, é pertinente dar uma folga pra criança. Filmar uma outra cena até ela descansar um pouco, se não pode te prejudicar mais lá na frente. Em uma filmagem de um filme da Xuxa, tínhamos muitas crianças na figuração. E como criança come! Chegou uma hora que os biscoitos e lanches acabaram, e a produção mandou providenciar mais. Porém, demorou um pouco, e qual não foi a nossa surpresa quando bateu a fiscalização no Set: uma das mães havia acionado o Sindicato pois disse que seu filho estava com fome e não havia comido. O Set parou até que chegasse a comida. Olha só que loucura: todas as crianças tinham comido, só que algumas comem mais que as outras, e criança adora comer! A mãe ao invés de conversar com alguém da produção, resolveu agir da forma mais radical possível. Quanto ao fato de deixar a crianca mijar, a minha visão sobre esse assunto mudou após assistir ao filme "Magnólia" de Paul Thomas Anderson. Um dos personagens era uma criança super dotada: era um gênio com Q.I Altíssimo, e seu pai resolveu levá-lo para um estúdio de um programa de tv ao vivo, para que o filho participasse de um quizz. Era certo que o menino iria ganhar, o pai todo confiante. Porém, minutos antes de entrar no Ar, o menino pede para a assistente de produção para fazer xixi. A moça não deixa. Ele implora. Ela diz que não. Resultado: o menino não acerta nenhuma pergunta e seu pai fica puto com ele. Desde esse filme então, qualquer ator, seja criança ou adulto, que me pede para ir ao banheiro antes de filmar uma cena, eu deixo. Ninguém pode se concentrar com outra informação na cabeça, não é mesmo? É uma delícia ensaiar e passar o roteiro com crianças. A gente estimula a imaginação, a criatividade. Mas às vezes percebo que alguns coachs ( sim, muitos Diretores não têm paciência com crianças e contratam coachs infantis para trabalharem as cenas) tratam as crianças como verdadeiros débeis mentais. Pode ser loucura minha, mas acredito que não se deve infantilizar esse processo de trabalho com o ator mirim. Ele é um ator, e pronto. Deve ser trabalhado da mesma forma que um adulto. A criança deve entender que ela está dentro de um projeto, de um processo criativo que exigirá a atenção, de dedicação e profissionalismo da parte dela. Hora de brincar é hora de brincar, hora de trabalhar é hora de trabalhar. e ponto final. Se ela não entender isso, ela não poderá trabalhar. Não se deve jamais chantagear uma criança com prêmios (chocolates, viagens, brinquedos) em troca dela fazer uma cena. A não ser que trabalhemos com crianças amadoras, ou figurantes, dai é diferente, pois ela não entrou no processo do filme. Durante a filmagem do longa "O dia da caça", tinha uma cena que uma criança indígena tinha que correr dentro de um barco em direção à câmera. Não tinha cristão que fizesse ela vir. Ela simpelsmente ficou ali, paradinha. Quando o Diretor j;a tinha torrado a paciência, o produtor de elenco, Luppi Pinheiro, chegou nos ouvidinhos da criança, falou algo. Daí ele disse: "Podem pedir "ação". No "Ação", a criança veio e fez bonitinha a cena. Todos perguntaram o que ele havia dito. Luppi respondeu: "Prometi um chocolate para ela". Todos riram. Ah, essas crianças.... Em outro Post falarei sobre crianças que...cresceram. ARRASA!